Crédito habitação em 2025: o que explica a subida de 34,9% e o impacto para famílias e empresas
Em 2025, o crédito habitação voltou a ganhar força em Portugal, com um aumento de 34,9% no montante contratado face a 2024, segundo o Banco de Portugal. Este crescimento foi impulsionado pela descida das taxas de juro de referência, pela resiliência do mercado de trabalho, pela subida dos preços da habitação e pela Garantia do Estado para jovens. Para empresas, decisores e profissionais financeiros, estes dados ajudam a perceber como evolui a procura por financiamento e que sinais podem influenciar a gestão de tesouraria, o planeamento patrimonial e a decisão de compra de casa.
Os números divulgados referem-se ao comportamento do mercado de crédito à habitação ao longo de 2025 e mostram uma dinâmica clara: mais contratos, valores médios mais altos e uma preferência ainda forte por soluções de taxa mista. A informação disponível é suficiente para identificar tendências relevantes, mas não permite concluir, por si só, sobre o perfil completo dos mutuários ou sobre o impacto individual em cada agregado.
Crédito habitação: mais montante contratado e mais contratos
O Banco de Portugal indica que, em 2025, foram contratados cerca de 23,4 mil milhões de euros em crédito habitação, o que representa uma subida de 34,9% face a 2024. Em média, o mercado registou cerca de 1.950 milhões de euros por mês.
Também o número de contratos aumentou: passou de 119.875 para 133.602, uma variação de 11,5%. Isto significa que não só houve mais financiamento, como também os montantes médios cresceram.
A evolução foi positiva em todos os trimestres do ano, embora com ritmos diferentes. O relatório aponta aumentos homólogos de 45% no 1.º trimestre, 43,8% no 2.º, 36,3% no 3.º e 20,5% no 4.º. Esta desaceleração no final do ano não invalida a tendência anual de forte expansão do crédito habitação.
O que está a puxar pelo crédito habitação
Segundo o Banco de Portugal, o crescimento do crédito habitação em 2025 foi influenciado por quatro fatores principais:
- descida das taxas de juro de referência;
- resiliência do mercado de trabalho;
- subida dos preços da habitação;
- vigência da Garantia do Estado para facilitar o acesso dos jovens à habitação.
Na prática, estes fatores atuam em sentidos complementares. Taxas mais baixas tendem a reduzir o custo do financiamento e a melhorar a capacidade de pagamento. Ao mesmo tempo, a subida dos preços da habitação pode levar as famílias a recorrer a montantes mais elevados. Já a Garantia do Estado ajuda a viabilizar operações que, sem esse apoio, poderiam ficar fora do alcance de alguns compradores mais jovens.
Crédito habitação: montante médio, prazos e tipos de taxa
O montante médio dos novos empréstimos subiu 21,1%, de 144.660 euros para 175.141 euros. O relatório destaca que a Garantia do Estado contribuiu para esta evolução, mas também sublinha que, mesmo excluindo os contratos com garantia, o montante médio aumentou para 169 mil euros, o que mostra uma relação consistente com a evolução dos preços da habitação.
Nos contratos ao abrigo da garantia pública, o montante médio foi de 199 mil euros, valor 17,4% superior ao montante contratado sem garantia.
Quanto ao prazo, a média dos novos contratos fixou-se em 31,7 anos, mais um ano do que em 2024. Nos contratos com garantia, o prazo médio subiu para 37,8 anos, refletindo o facto de este regime abranger compradores mais jovens, que podem recorrer a prazos mais longos.
Em termos de estrutura de taxa, a taxa mista continuou a ser a mais usada, embora tenha perdido peso. Esteve presente em 75% dos contratos e em 75,4% do montante concedido. A taxa variável ganhou expressão, passando para 18,7% dos contratos e 18,6% do montante. A taxa fixa manteve-se estável, com 6,3% dos contratos.
A TAEG média dos novos contratos desceu para 4,8%, face a 5,9% em 2024. Nos contratos variáveis, a Euribor a 6 meses foi o indexante mais frequente, com 58,9%.
Reembolsos antecipados perderam força
Outro sinal relevante foi a quebra dos reembolsos antecipados totais ou parciais, que desceram 16,2% face a 2024. No total, passaram de 182.773 para 153.092 operações.
O capital amortizado nestes reembolsos foi de 8,4 mil milhões de euros, menos 7,2% do que no ano anterior. O valor médio por reembolso, no entanto, subiu de 49.324 euros para 54.645 euros.
O Banco de Portugal associa esta evolução à descida das taxas de juro de referência, que reduz o incentivo para amortizar antecipadamente o crédito. O relatório também refere que os valores de 2025 se aproximaram dos de 2022, antes do impacto da suspensão temporária da comissão por reembolso antecipado, medida que terminou a 31 de dezembro de 2025.
O que muda na prática
- Há mais procura por financiamento à habitação e os montantes contratados estão mais altos.
- O custo do crédito desceu em média, mas continua a exigir análise cuidadosa da TAEG e do tipo de taxa.
- A Garantia do Estado está a influenciar o mercado, sobretudo no acesso dos jovens e no aumento dos prazos.
- A taxa mista continua dominante, mas a taxa variável voltou a ganhar peso.
- Os reembolsos antecipados perderam relevância, o que pode refletir menor pressão para amortizar dívida.
Sugerimos que tenha em atenção ao seguinte
- Confirmar sempre a TAEG, e não apenas a taxa nominal, antes de contratar.
- Avaliar se o prazo mais longo compensa o custo total do financiamento.
- Comparar taxa mista, variável e fixa com base no horizonte de permanência no imóvel.
- Considerar o impacto da subida dos preços da habitação no montante necessário.
- Se houver recurso à Garantia do Estado, verificar as condições aplicáveis ao caso concreto.
- Rever a estratégia de amortização antecipada à luz do custo financeiro e das comissões em vigor.
Em síntese, 2025 confirmou um mercado de crédito habitação mais ativo, com financiamento mais elevado e condições médias mais favoráveis do que em 2024. Se precisa de interpretar estes dados no contexto da sua empresa, do seu património ou de uma decisão de compra, envie-nos mensagem ou contacte-nos para esclarecer dúvidas e receber aconselhamento.
Se quiser perceber como esta informação se aplica à sua realidade, fale connosco. Estamos disponíveis para esclarecer dúvidas e prestar aconselhamento com base no seu contexto.
Fonte
- doutorfinancas em https://www.doutorfinancas.pt/creditos/credito-habitacao/credito-habitacao-cresceu-quase-35-em-2025/



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