Como criar riqueza em Portugal: o que empresas, famílias e decisores precisam de mudar

A discussão sobre como criar riqueza em Portugal voltou ao centro do debate empresarial numa mesa-redonda da 2.ª Convenção do Doutor Finanças. O tema impacta empresas, famílias e decisores públicos porque cruza crescimento empresarial, políticas de investimento, literacia financeira e o uso responsável da inteligência artificial. A mensagem principal foi clara: não basta querer mais riqueza; é preciso criar condições para que ela seja gerada, preservada e distribuída de forma sustentável.

Em informação limitada ao que foi partilhado na fonte, o debate reuniu visões de empresa, banca, tecnologia e política, com foco nos obstáculos práticos ao crescimento económico e na forma como as decisões do dia a dia influenciam o património das organizações e das famílias.

Criar riqueza em Portugal exige empresas com escala e capacidade de investimento

Um dos pontos mais fortes da conversa foi a ideia de que o país não pode ambicionar criar riqueza apenas com micro e pequenas empresas. Segundo Adolfo Mesquita Nunes, a criação de valor depende também de empresas maiores, com mais capacidade para pagar melhores salários, diversificar operações e responder a desafios complexos.

Na prática, isto não significa desvalorizar as pequenas empresas. Significa reconhecer que o crescimento empresarial, quando é sustentável, tende a gerar mais produtividade, mais emprego qualificado e maior capacidade de investimento. Para isso, são necessárias políticas públicas pensadas para criar riqueza, com espaço para boas soluções em diferentes quadrantes políticos.

Do lado empresarial, Leonor Freitas deu o exemplo de uma empresa familiar que cresceu ao longo de décadas, passando de uma pequena adega para uma operação com 600 hectares de vinha e 108 colaboradores. O crescimento, explicou, foi feito com investimento no momento certo, atenção à marca, modernização e sustentabilidade, sem perder a confiança do cliente.

A criação de riqueza em Portugal também começa nas decisões financeiras das famílias

A conversa não ficou limitada às empresas. Luís Pereira Coutinho sublinhou que a construção de património também depende das escolhas financeiras das famílias. Um dos exemplos referidos foi o crédito à habitação, apresentado como uma decisão relevante para muitas famílias não só pelo acesso à casa própria, mas também pela disciplina de poupança que pode criar ao longo da vida.

Aqui, o ponto central é a sustentabilidade da decisão. Comprar casa pode ser uma forma de construir riqueza, mas apenas quando o compromisso financeiro é adequado ao rendimento, à estabilidade familiar e ao contexto económico. Por isso, o aconselhamento financeiro e a relação com instituições sólidas foram destacados como fatores importantes antes de assumir compromissos de longo prazo.

Este é um lembrete útil para empresas e particulares: a literacia financeira não serve apenas para “saber mais”, serve para decidir melhor.

Literacia financeira e IA: tecnologia sem contexto pode levar a más decisões

A inteligência artificial teve um papel relevante no debate, mas com uma leitura prudente. Adolfo Mesquita Nunes reconheceu que a IA pode ser um motor poderoso para as empresas, mas alertou para o risco de se delegarem decisões em sistemas que não são plenamente compreendidos. A ideia-chave foi que a IA não deve ficar confinada à área técnica; deve ser acompanhada ao nível da gestão de topo.

Mafalda Rebordão reforçou esta preocupação ao lembrar que, embora os jovens procurem cada vez mais informação sobre finanças, muitas vezes fazem-no através de redes sociais e chatbots. O problema é que estas ferramentas não conhecem o contexto completo de cada pessoa ou família — por exemplo, poupanças, encargos ou objetivos de vida — o que pode distorcer recomendações sobre crédito habitação ou outras decisões relevantes.

A conclusão é simples: a tecnologia pode apoiar, mas não substitui o julgamento humano nem a educação financeira.

Mais ambição coletiva para fazer crescer o “bolo”

Outro tema transversal foi a cultura de ambição. Segundo Mafalda Rebordão, existe em Portugal uma tendência para o medo e para a contenção, em contraste com contextos mais orientados para o risco e para a expansão. A ideia defendida foi a de criar um “bolo” maior, para que mais pessoas e empresas possam beneficiar do crescimento económico.

Esta perspetiva é importante porque a criação de riqueza não depende apenas de indicadores macroeconómicos. Depende também da forma como a sociedade encara o sucesso, o investimento, o erro e a inovação. Sem ambição coletiva, o crescimento tende a ser mais lento e menos transformador.

O que muda na prática

  • Empresas com maior escala podem ter mais capacidade para investir, inovar e pagar melhores salários.
  • Políticas públicas orientadas para o investimento podem ser decisivas para acelerar a criação de riqueza.
  • A confiança do cliente continua a ser um ativo central para o crescimento sustentável.
  • As decisões de habitação e crédito devem ser tomadas com base em contexto financeiro real, não apenas em simulações genéricas.
  • A literacia financeira é essencial para famílias e empresas tomarem decisões mais informadas.
  • A IA pode apoiar a análise, mas não deve substituir o conhecimento do negócio nem o acompanhamento humano.
  • A ambição empresarial e social influencia a capacidade do país gerar mais valor.

Sugerimos que tenha em atenção ao seguinte

  • Avalie se a sua empresa está preparada para crescer com estrutura, e não apenas com volume.
  • Reforce a análise financeira antes de assumir investimento, dívida ou expansão.
  • Garanta que decisões relevantes não dependem apenas de ferramentas automáticas ou respostas genéricas.
  • Invista em literacia financeira interna, sobretudo em equipas de gestão e administração.
  • Considere o impacto de longo prazo das decisões de habitação, crédito e poupança no património familiar.
  • Acompanhe o enquadramento das políticas públicas que possam influenciar investimento e competitividade.

A mensagem deste debate é clara: criar riqueza em Portugal exige empresas mais fortes, famílias mais informadas e decisões mais conscientes. Se quiser analisar como estes temas se aplicam ao seu negócio ou à sua realidade financeira, envie-nos mensagem ou contacte-nos para esclarecer dúvidas e receber aconselhamento.

Se quiser perceber como esta informação se aplica à sua realidade, fale connosco. Estamos disponíveis para esclarecer dúvidas e prestar aconselhamento com base no seu contexto.

Fonte

  • doutorfinancas em https://www.doutorfinancas.pt/empresas/afinal-o-que-falta-a-portugal-para-criar-riqueza/

A faturio foi criada para ajudar trabalhadores independentes, famílias e particulares a compreender melhor impostos, atividade independente e decisões financeiras do dia a dia.

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