Crédito habitação com taxa variável atinge mínimo histórico nas novas operações

Em abril, a taxa variável no crédito habitação caiu para 13,92% das novas operações, o valor mais baixo desde que o Banco de Portugal começou a divulgar estes dados, em dezembro de 2018. Ao mesmo tempo, a taxa mista atingiu um máximo histórico nas novas operações, refletindo a preferência das famílias por maior previsibilidade num contexto de subida da Euribor. Esta evolução impacta quem está a contratar, renegociar ou a acompanhar a prestação da casa.

Introdução

A evolução das taxas de juro continua a alterar a forma como os particulares financiam a compra de casa. Os dados mais recentes do Banco de Portugal mostram uma mudança clara no crédito habitação com taxa variável, que perdeu peso nas novas operações, enquanto a taxa mista reforçou a sua posição. Para empresas, decisores e famílias com financiamento em curso, estes números ajudam a perceber como o mercado está a reagir ao atual contexto de juros.

Crédito habitação com taxa variável perde espaço nas novas operações

Em abril, apenas 13,92% das novas operações de crédito habitação foram contratadas com taxa variável. Trata-se do valor mais baixo da série divulgada pelo Banco de Portugal e confirma uma tendência de quebra que já tinha sido interrompida no início de 2026, mas voltou a acentuar-se em março e abril.

Na prática, isto significa que menos clientes estão a escolher uma prestação diretamente exposta às oscilações da Euribor. Quando a Euribor sobe, a prestação tende a aumentar nas revisões do contrato, o que torna esta modalidade menos atrativa para quem procura estabilidade orçamental.

A taxa fixa também perdeu peso nas novas operações, mas continua a ter uma presença reduzida no mercado. Em abril, representou 1,57% das novas operações, o valor mais baixo de sempre. Ainda assim, a sua importância histórica é residual quando comparada com as restantes modalidades.

A taxa mista domina o crédito habitação com taxa variável e fixa

O grande destaque dos dados de abril é a taxa mista, que atingiu 84,5% das novas operações de crédito habitação. Este é o peso mais elevado de sempre e corresponde a 31 meses consecutivos como a modalidade mais escolhida.

A explicação é simples: num cenário de subida da Euribor, muitos clientes procuram uma solução que combine uma fase inicial com prestação mais previsível e uma exposição futura ao mercado. A taxa mista responde precisamente a essa necessidade de equilíbrio entre segurança no curto prazo e alguma flexibilidade contratual.

Os próprios valores médios de juro ajudam a perceber esta preferência. Nas novas operações:

  • taxa mista: 2,74%
  • taxa variável: 2,96%
  • taxa fixa: 3,7%

Ou seja, além da previsibilidade, a taxa mista apresentou também a média mais baixa entre as três modalidades analisadas.

Crédito habitação com taxa variável: qual o indexante mais usado?

Nos novos empréstimos com taxa variável, a Euribor a seis meses foi a mais escolhida, com 49% das operações. Seguiu-se a Euribor a 12 meses, com 36%, e a Euribor a três meses, com 9%.

Este detalhe é relevante porque o indexante influencia a frequência com que a prestação pode ser revista. Em termos práticos, quanto mais curto for o prazo da Euribor, mais rapidamente o contrato reage às alterações do mercado.

O que mostram os dados sobre o mercado em vigor

A mudança não se limita às novas operações. No total dos empréstimos em vigor, a taxa variável continua a ser a mais relevante, mas a distância para a taxa mista está a diminuir.

Há um ano, a taxa variável representava 58% dos empréstimos em carteira e a taxa mista 37%. Agora, esses pesos estão mais próximos: 49% e 45%, respetivamente. Isto mostra que a taxa mista está a ganhar terreno de forma consistente e pode vir a tornar-se a modalidade dominante se a tendência se mantiver.

Outro dado importante é o custo médio do crédito em Portugal. Em abril, a taxa de juro média das novas operações de crédito habitação fixou-se em 2,85%, o quarto valor mais baixo da Zona Euro. A média da área do euro foi de 3,43%.

O que muda na prática

  • Quem vai contratar crédito habitação enfrenta hoje um mercado mais inclinado para a taxa mista.
  • A taxa variável continua exposta à evolução da Euribor, o que pode aumentar a prestação nas revisões.
  • A taxa fixa mantém peso muito reduzido nas novas operações.
  • A prestação mensal média subiu para 428 euros, mais 3 euros face ao mês anterior.
  • Em Portugal, a taxa média do crédito habitação continua abaixo da média da Zona Euro.
  • A escolha do indexante na taxa variável influencia a rapidez com que a prestação pode mudar.

Próximos passos

  • Rever o contrato de crédito habitação e identificar se está em taxa variável, fixa ou mista.
  • Confirmar qual o indexante aplicado e em que datas a prestação é revista.
  • Simular o impacto de novas subidas da Euribor no orçamento familiar ou empresarial.
  • Comparar propostas de renegociação antes de avançar com alterações ao contrato.
  • Avaliar se a previsibilidade da taxa mista compensa face ao custo inicial.
  • No caso de novos depósitos, comparar remuneração e prazo antes de aplicar liquidez.

Conclusão

Os dados de abril confirmam uma mudança estrutural no mercado do crédito habitação: a taxa variável perde peso, enquanto a taxa mista ganha relevância pela previsibilidade que oferece. Para quem toma decisões financeiras, o essencial é perceber o impacto da Euribor, comparar cenários e escolher a solução mais alinhada com a capacidade de pagamento.

Fonte

  • doutorfinancas — https://www.doutorfinancas.pt/creditos/credito-habitacao/peso-da-taxa-variavel-no-credito-habitacao-nunca-foi-tao-baixo/

A faturio foi criada para ajudar trabalhadores independentes, famílias e particulares a compreender melhor impostos, atividade independente e decisões financeiras do dia a dia.

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