Intermediação de crédito ao consumo ultrapassa a contratação direta em Portugal

Em 2025, a intermediação de crédito passou a representar 50,6% do montante concedido no crédito aos consumidores, superando pela primeira vez a contratação direta. A mudança, confirmada pelo Banco de Portugal, afeta sobretudo empresas e consumidores que recorrem a crédito pessoal, crédito renovável e crédito automóvel, e mostra uma alteração relevante no modelo de distribuição deste tipo de financiamento.

Este dado é importante porque ajuda a perceber onde está a acontecer a decisão de crédito e como os consumidores estão a chegar ao financiamento. Para empresas que vendem bens ou serviços a prestações, e para decisores que acompanham o mercado, esta evolução tem impacto na forma como o crédito é comercializado, comparado e contratado.

O que significa a subida da intermediação de crédito

De acordo com o Relatório de Acompanhamento dos Mercados de Crédito do Banco de Portugal relativo a 2025, o peso do crédito concedido através de intermediários subiu de 49,9% em 2024 para 50,6% em 2025. É a primeira vez, desde a entrada em vigor do regime que regula esta atividade em 2018, que a contratação com recurso a intermediários ultrapassa a contratação direta junto das instituições de crédito.

O Banco de Portugal interpreta esta evolução como um sinal de mudança no modelo de distribuição do crédito aos consumidores. Na prática, isto quer dizer que o intermediário deixou de ser apenas um canal complementar e passou a ter um peso estrutural no mercado.

Apesar desta alteração, importa não tirar conclusões excessivas: a informação disponível é limitada ao que o relatório permite verificar. O que se sabe, com base nos dados divulgados, é que a intermediação ganhou relevância, mas não substituiu totalmente a relação direta com o banco.

Intermediação de crédito: onde o crescimento foi mais visível

O aumento do peso global dos intermediários está ligado, sobretudo, ao crédito pessoal e ao crédito renovável.

No crédito pessoal, a contratação direta continua a ser dominante, com 77% do montante concedido em 2025. Ainda assim, o recurso a intermediários subiu de 22,4% para 23%. Esta evolução acompanhou um crescimento mais forte do montante concedido através de intermediários: mais 14,1%, face a uma subida de 10,2% na concessão direta.

No crédito renovável, também se verificou um reforço da intermediação. O montante concedido através de intermediários aumentou 10,0% face a 2024, enquanto o crédito concedido diretamente na instituição caiu 5,5%. No final do ano, os intermediários passaram a representar 48,1% do montante total concedido neste segmento.

Do ponto de vista empresarial, estes números mostram que a intermediação de crédito está a ganhar espaço em produtos de consumo mais frequentes e mais sensíveis à conveniência do processo.

Crédito automóvel continua a ser o principal motor da intermediação de crédito

O crédito automóvel continua a ser o segmento onde a intermediação tem maior expressão. Em 2025, 82,6% do montante foi contratado através de intermediários, ainda que este peso tenha recuado ligeiramente face aos 83,1% de 2024.

O Banco de Portugal não detalha as razões para esta evolução, mas o texto aponta para uma explicação plausível: muitos stands automóveis atuam também como intermediários de crédito a título acessório. Ou seja, prestam esse serviço como complemento à venda de automóveis, em nome e sob responsabilidade de uma ou mais instituições financeiras.

Na prática, isto ajuda a explicar porque é que muitos consumidores tratam o financiamento no próprio ponto de venda, sem necessidade de contacto direto com o banco. Para quem vende automóveis, esta realidade torna a intermediação uma peça central da experiência comercial.

O que muda na prática

  • A intermediação de crédito passou a ser o principal canal de concessão no crédito aos consumidores.
  • O crédito pessoal e o crédito renovável reforçaram o peso dos intermediários, embora a contratação direta continue relevante.
  • No crédito automóvel, a intermediação mantém-se claramente dominante.
  • Os consumidores podem estar a contratar crédito mais frequentemente através de canais integrados na venda, como stands.
  • As empresas que comercializam bens financiáveis devem acompanhar melhor o papel dos intermediários no processo de venda.
  • A leitura destes dados deve ser feita com prudência: o relatório mostra tendências de mercado, mas não explica todos os motivos por trás da evolução.

O que deve ter em consideração a seguir

  • Confirmar se o seu negócio depende de financiamento ao cliente e em que momento o crédito entra na decisão de compra.
  • Rever se a informação prestada ao cliente sobre o financiamento é clara, completa e alinhada com o canal usado.
  • Avaliar se a presença de intermediários pode acelerar a venda, mas também aumentar a necessidade de controlo documental.
  • Acompanhar a evolução do crédito pessoal, renovável e automóvel, porque são os segmentos onde a intermediação está mais ativa.
  • Ter presente que os intermediários de crédito estão registados no Banco de Portugal e precisam de autorização para atuar.
  • Considerar que, em crédito ao consumo, a comparação entre propostas continua a ser essencial para evitar custos desnecessários.

Conclusão

A subida da intermediação de crédito para mais de metade do crédito aos consumidores confirma uma mudança relevante no mercado português. Para empresas e decisores, isto significa acompanhar melhor os canais de distribuição, os riscos operacionais e a forma como o financiamento influencia a decisão de compra. Se quiser esclarecer dúvidas ou receber aconselhamento sobre este tema, envie-nos mensagem ou contacte-nos.

Fonte

  • doutorfinancas em https://www.doutorfinancas.pt/creditos/intermediarios-ja-representam-mais-de-metade-do-credito-aos-consumidores/

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