Certificados de Aforro em 2026: remuneração aproxima-se de 2,5%

Os Certificados de Aforro estão a aproximar-se do limite máximo de remuneração da série F, num contexto em que a subida das taxas de juro do BCE está a pressionar as Euribor e a melhorar o retorno destes produtos de poupança do Estado. Para aforradores e empresas que acompanham a gestão de liquidez, a principal consequência é clara: o rendimento esperado pode subir para perto de 2,5% em julho, embora continue abaixo da inflação e, por isso, com retorno real ainda limitado.

Nos últimos meses, o enquadramento monetário mudou mais depressa do que se antecipava no início do ano. Isso está a refletir-se nos produtos de baixo risco, com impacto direto na remuneração dos Certificados de Aforro e também na comparação com depósitos a prazo.

Certificados de Aforro: porque é que a remuneração está a subir

A remuneração dos Certificados de Aforro depende da evolução da Euribor a três meses, que serve de referência para o cálculo da taxa base. Segundo a informação disponível, a taxa base subiu em junho para 2,215%, depois de ter estado em 2% em março.

O movimento ascendente ganhou força porque o BCE já aumentou a taxa dos depósitos em 25 pontos base e não exclui novas subidas, caso persistam pressões inflacionistas. Esse posicionamento tem puxado as taxas interbancárias para cima, com reflexo direto nos produtos indexados.

Em termos práticos, se a Euribor a três meses se mantiver nos níveis recentes, a taxa dos Certificados de Aforro poderá fixar-se em torno de 2,4% em julho. Isso colocaria o produto muito perto do teto de 2,5% definido para a série F.

O que significa o limite máximo de 2,5% nos Certificados de Aforro

O teto de 2,5% foi definido pelo Governo português em junho de 2023 para a série F, abaixo do limite de 3,5% que existia na série E. Na prática, isto quer dizer que, mesmo que as taxas de mercado continuem a subir, a remuneração dos Certificados de Aforro não pode ultrapassar esse máximo.

A informação disponível indica que este nível poderá voltar a ser atingido em breve, caso se confirmem as expectativas já refletidas nas Euribor a seis e 12 meses. Ainda assim, é importante sublinhar que estamos a falar de uma previsão baseada nos dados atuais, não de uma garantia.

Para quem gere tesouraria ou poupança com horizonte mais longo, este detalhe é relevante: os Certificados de Aforro podem melhorar a remuneração, mas continuam sujeitos a um teto regulamentar.

Certificados de Aforro vs depósitos: onde está a diferença real

Apesar da subida, os Certificados de Aforro continuam a competir com depósitos a prazo que, em média, pagam menos. A taxa média dos depósitos situou-se em 1,44% em abril, sem alterações relevantes no último ano.

Isto ajuda a explicar por que razão os Certificados continuam a atrair aforro: oferecem, em regra, uma remuneração superior à dos depósitos tradicionais. No entanto, há um ponto que não deve ser ignorado: a inflação em Portugal continua acima da taxa dos Certificados desde março, o que significa que o rendimento real permanece negativo.

Ou seja, o capital pode estar a render nominalmente, mas o poder de compra pode continuar a ser corroído. Para empresas e particulares, esta distinção é essencial na avaliação de liquidez excedentária.

O peso dos prémios de permanência na decisão de investir

Um dos aspetos mais relevantes dos Certificados de Aforro é o prémio de permanência. Estes prémios aumentam ao longo do tempo e são somados à taxa base com periodicidade trimestral.

De forma resumida:

  • do 2.º ao 5.º ano: +0,25 pontos percentuais;
  • do 6.º ao 9.º ano: +0,5 pontos percentuais;
  • no 10.º e 11.º ano: +1 ponto percentual;
  • no 12.º e 13.º ano: +1,5 pontos percentuais;
  • no 14.º e 15.º ano: +1,75 pontos percentuais.

Na prática, isto significa que os Certificados de Aforro podem tornar-se mais interessantes para quem não precisa de mobilizar o dinheiro no curto prazo. Para horizontes longos, o prémio de permanência pode compensar parte da limitação da taxa base.

O que muda na prática

  • A remuneração dos Certificados de Aforro deverá subir em julho, aproximando-se de 2,4%.
  • O teto de 2,5% da série F pode ser atingido em breve, se a tendência das Euribor se mantiver.
  • Os depósitos a prazo continuam, em média, com remuneração inferior.
  • Apesar da subida, o retorno real pode continuar negativo enquanto a inflação se mantiver acima da taxa dos certificados.
  • Os prémios de permanência ganham importância para quem investe com horizonte de vários anos.
  • A informação disponível aponta para um contexto de maior atratividade relativa, mas ainda sem retorno elevado em termos reais.

Sugerimos que tenha em atenção ao seguinte

  • Confirmar a taxa efetiva aplicável no momento da subscrição, já que a remuneração é calculada mensalmente.
  • Avaliar se o objetivo é liquidez de curto prazo ou poupança de médio/longo prazo.
  • Comparar a remuneração dos Certificados de Aforro com depósitos e outras alternativas de baixo risco.
  • Considerar o impacto da inflação na rentabilidade real.
  • Em contexto empresarial, enquadrar esta decisão na gestão de tesouraria e na necessidade de disponibilidade dos fundos.

Em síntese, os Certificados de Aforro voltam a ganhar relevância num cenário de juros em alta, mas continuam a exigir uma leitura prudente: a remuneração melhora, embora o ganho real permaneça condicionado pela inflação. Se quiser analisar o impacto desta evolução na sua poupança ou tesouraria, envie-nos mensagem ou contacte-nos para esclarecer dúvidas e receber aconselhamento.

Se quiser perceber como esta informação se aplica à sua realidade, fale connosco. Estamos disponíveis para esclarecer dúvidas e prestar aconselhamento com base no seu contexto.

Fonte

  • doutorfinancas em https://www.doutorfinancas.pt/investimentos/remuneracao-dos-certificados-a-caminho-do-limite-maximo-de-25/

A faturio foi criada para ajudar trabalhadores independentes, famílias e particulares a compreender melhor impostos, atividade independente e decisões financeiras do dia a dia.

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